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domingo, 16 de outubro de 2011

Santa Teresa d'Ávila


Com grande alegria lembramos, hoje, da vida de santidade daquela que mereceu ser proclamada "Doutora da Igreja": Santa Teresa de Ávila (também conhecida como Santa Teresa de Jesus). Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515 e foi educada de modo sólido e cristão, tanto assim que, quando criança, se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires a ponto de ter combinado fugir com o irmão para uma região onde muitos cristãos eram martirizados; mas nada disso aconteceu graças à vigilância dos pais. Aos vinte anos, ingressou no Carmelo de Ávila, onde viveu um período no relaxamento, pois muito se apegou às criaturas, parentes e conversas destrutivas, assim como conta em seu livro biográfico. Certo dia, foi tocada pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor, assumiu a partir dessa experiência a sua conversão e voltou ao fervor da espiritualidade carmelita, a ponto de criar uma espiritualidade modelo. Foi grande amiga do seu conselheiro espiritual São João da Cruz, também Doutor da Igreja, místico e reformador da parte masculina da Ordem Carmelita. Por meio de contatos místicos e com a orientação desse grande amigo, iniciou aos 40 anos de idade, com saúde abalada, a reforma do Carmelo feminino. Começou pela fundação do Carmelo de São José, fora dos muros de Ávila. Daí partiu para todas as direções da Espanha, criando novos Carmelos e reformando os antigos. Provocou com isso muitos ressentimentos por parte daqueles que não aceitavam a vida austera que propunha para o Carmelo reformado. Chegou a ter temporariamente revogada a licença para reformar outros conventos ou fundar novas casas.

Santa Teresa deixou-nos várias obras grandiosas e profundas, principalmente escritas para as suas filhas do Carmelo : “O Caminho da Perfeição”, “Pensamentos sobre o Amor de Deus”, “Castelo Interior”, “A Vida”. Morreu em Alba de Tormes na noite de 15 de outubro de 1582 aos 67 anos, e em 1622 foi proclamada santa. O seu segredo foi o amor. Conseguiu fundar mais de trinta e dois mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz. Teve sofrimentos físicos e morais antes de morrer, até que em 1582 disse uma das últimas palavras: "Senhor, sou filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer". No dia 27 de setembro de 1970 o Papa Paulo VI reconheceu-lhe o título de Doutora da Igreja. Sua festa litúrgica é no dia 15 de outubro. Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos.

Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!

sábado, 30 de julho de 2011

São Francisco: o SHALOM para o mundo.



"Considerai os lírios, como não fiam, nem tecem. Contudo, eu vos asseguro que nem Salomão, com todo o seu esplendor, se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que existe hoje e amanhã será lançada no forno, quanto mais a vós homens fracos na fé." (Lc 12, 27-28)
É de impressionar o fato de um homem ter vivido no século XIII numa cidade tão pequena da Itália (Assis) e ter tido no mundo, século após século, uma presença tal, que abala as estruturas mais profundas da sociedade e atrai ainda hoje, peregrinos do mundo inteiro aos seus incontáveis santuários, que impressionados com sua vida de santidade, desejam homenageá-lo e pedir que ele rogue a Deus, que pelos méritos de Jesus Cristo sejam concedidas as graças necessárias para suas vidas.
É de impressionar, o fato de que em qualquer lugar do mundo, por onde passe, há sempre algo inspirado ou senão totalmente a este tão glorioso santo, que abala o mundo inteiro pelo seu radicalismo em cumprir o Evangelho.
É de impressionar ainda mais o fato de se ver, que a Madre Basiléa Schlink, evangélica (protestante) da cidade de Darmstadk – Eberstadk na Alemanha, ao fundar a sua comunidade masculina tenha dado a esta comunidade "Irmandade Franciscana de Canaã", não por achar que o nome "franciscana" é bonito, mas por querer que a sua comunidade, viva o espírito franciscano, a exemplo de São Francisco que foi fiel no mais íntimo do seu ser, que abraçou a vocação que o Senhor lhe confiara até a morte, a exemplo de Jesus que, para abraçar o plano de salvação para as nossas vidas, foi até a morte e morte de cruz. (Fil 2,8)
O Evangelho nos diz que a Palavra do Senhor chegará até os confins da terra. Hoje nós vemos que ela tem chegado aos mais longínquos lugares. Aqui no Brasil, por exemplo, nos recantos mais escondidos do Nordeste, é muito bonito se observar a fé que o povo simples expressa em Deus. Ficamos maravilhados quando vemos como chegou esta fé até o nosso meio e a única explicação que temos é que ela chegou pela promessa de Deus de que seu Evangelho chegaria até os confins da terra. Do mesmo modo, a figura franciscana chegou também até os confins da terra, mostrando com isso que Francisco e sua obra são um Evangelho vivo, são uma Palavra de Deus anunciada e manifestada. Em todo lugar e em todo tempo se ouve falar de Francisco, por meio da sua obra espalhada em todo o mundo.
Mas nós perguntamos "por que" este homem é muito mais conhecido do que até mesmo no seu tempo e porque ele ainda inspira tantas vidas a quererem se doar, se entregar a viver como ele?
A resposta é clara e simples: primeiramente por sua radicalidade em viver o Evangelho e depois pelo profundo amor que ele tinha e dedicava ao Nosso Senhor Jesus Cristo.
A sua radicalidade em vivenciar o Evangelho o levou ao extremo da pobreza, respondendo assim ao chamado e ao plano de Deus para a sua vida, que resultou em assumir, portanto, até as consequências mais extremas deste seu amor à "dama" pobreza, como ele chamava. O maior desejo de Francisco, o que sempre moveu a sua vida, foi a liberdade. Ele queria ser livre e achava, primeiramente, que ser livre era ser um grande guerreiro, lutador nas cruzadas e receber as honras de um grande e bravo soldado. Mas a doença, maior inimigo de Francisco, porque simbolizava a prisão dos seus anseios e desejos, tornou-se para ele encontro com a liberdade, pois por meio da doença, Jesus veio ao seu encontro e Francisco experimentou a liberdade tão procurada.
Em meio a sua enfermidade, Francisco encontra Jesus e descobre o amor de Deus por ele. E algo tão profundo se passa dentro dele que o faz entender que Jesus é a liberdade. Ele descobre que Jesus era o amor que ele tanto esperava. Francisco abraça Jesus com a sua vida e renuncia tudo que o impede de viver em toda sua plenitude a liberdade que ele, por tanto tempo, esperou. Francisco entende e encarna na sua vida a Palavra evangélica que diz: "Aquele que ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim" (Mt 10, 37-39). Ele age assim porque havia sido capturado por um amor tão grande a Jesus e ao seu Reino, que se entregou por inteiro. Aquela pessoa que não está totalmente capturada por um amor pessoal a Jesus, deve entender estas palavras como uma usurpação dos seus direitos, porém, com Francisco não era assim, ele entendia o mandamento: "Amar a Deus sobre todas as coisas", e sabia que isso era realmente a sua vocação, o seu chamado de vida, e que só respondendo aquilo que Deus lhe chamara para ser, ele iria ser e fazer os outros felizes.
Francisco, o homem que ainda hoje é um grito de alerta para o mundo, viveu plenamente o Evangelho, e nenhuma palavra de Evangelho tanto animou quanto a Parábola das dez virgens (Mt 25,1-15), fazendo com que ele desse toda a sua vida, a fim de ser contado como uma das cinco virgens prudentes, que permaneceram com suas lâmpadas acesas abastecidas com óleo. Mas esta parábola tem uma característica bem particular. Cinco das dez virgens não enchem suas lâmpadas com o óleo e as outras cinco sim. O óleo que faz as lâmpadas das virgens permanecerem acesas é o amor a nosso Senhor e Salvador Jesus. Amor este que leva aqueles que o amam a uma vida de oração profunda e sincera, comprometida na busca do amado Jesus. Francisco quis ser uma das virgens prudentes e com sua vida nos impulsiona e nos convida também a sermos almas virgens, prudentes, com o coração cheio de amor por Jesus Cristo e seu reino, um amor de esposa, o amor esponsal.
Francisco tinha uma alma esposa de Jesus e sua vida de oração contemplativa, inflamada de amor por Jesus, transborda num amor profundo a aqueles que são a imagem e semelhança deste mesmo Deus e Senhor Jesus Cristo, este amor a Jesus faz de Francisco o mestre da caridade cristã, o modelo humano de servo, o modelo do homem que ama.
Este amor de Francisco a Jesus, que transborda para os irmãos é a mola-mestra, o impulso e o desejo de todos os que trazem em suas almas a vocação Shalom animada pelo exemplo da figura de São Francisco, homem que tem por Jesus uma alma esposa, que o arrasta a uma profunda vida contemplativa e que, buscando no evangelho, o desejo de salvar almas e resgatá-las para Jesus, se lança num trabalho cheio de amor, dando a sua vida em obediência ao Evangelho e à Igreja, numa castidade que o tornava transfigurado em Jesus.
Podemos assim ter a audácia de dizer que a vocação Shalom é também Franciscana, não por sermos tal e qual São Francisco, mas por perseguirmos este objetivo, por sabermos que ele intercede por nós e pelo seu exemplo, que nos incentiva a querermos ser como ele foi.
No auge da caminhada de Francisco, reunidos certa vez com os irmãos ele dizia: "Irmãos, comecemos tudo de novo, porque até agora, pouco ou nada fizemos". É esse carisma, do recomeçar em meio as quedas, do animar-se diante das fraquezas que move a comunidade Shalom. Francisco torna-se pai da nossa vocação por uma profunda identidade que sentimos e temos com ele, identidade que se torna maior, no ponto de sua pobreza, que se traduzia por uma total dependência da providência de Deus e por um total abandono à misericórdia e ao amor do Pai.
A pobreza dos vocacionados Shalom consiste em nós não termos nada, absolutamente nada que seja nosso, mas tudo é do Reino de Deus, isso se prova quando, por exemplo, um membro deixa de viver na comunidade, ele individualmente não levará nada, porque tudo é do Senhor e do seu Reino. Francisco também foi assim, nada, absolutamente nada, ele quis em vida, até mesmo o nome de seus familiares ele deixou, pois esse nome impedia sua entrega incondicional a Deus. Descobriu ele que a pobreza é um dom de Deus que nos dirige à liberdade perfeita, que nos desapega de tudo e de todos, e nos faz depender somente e totalmente de Deus, e de sua sábia providência.
Os santos são presentes de Deus para o mundo, sinais de sua misericórdia e de seu poder, sinais para nós de que é possível se cumprir no mundo de hoje a vontade de Deus e abraçar o Evangelho de Cristo como perfeito e radical modelo de vida. Abraçando esse presente de Deus a comunidade Shalom tem em Francisco um modelo a ser seguido, um exemplo a ser imitado e assim fazendo, espera ser, também, para o mundo de hoje modelo e exemplo, para que as pessoas cheguem mais próximos de Deus. Aleluia!!


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por  Escola de Formação SHALOM.