sábado, 29 de outubro de 2011

Apego ao dinheiro acaba desvirtuando o sentido de ser pessoa.

                                                     
Muita gente define sua estrutura de vida pelo valor econômico, em dinheiro, do que tem. Ele é aderente indispensável na vida das pessoas, levando até a atitude de descontrole e violência. Um apego ao dinheiro, sem critério, acaba desvirtuando o sentido de ser pessoa.
 Realmente o dinheiro é fascinante e tem um poder grande de domínio sobre nós. Mas a questão não está no estado de riqueza, está na forma de relacionamento que temos com o dinheiro e com os bens que o produzem. Não é a quantidade acumulada, mas o trato que temos com ela.
 Na dinâmica atual podemos dizer que o Estado é rico, contribuindo para a riqueza de alguns privilegiados, deixando uma relevante massa da população na pobreza, e até na marginalidade. Sem um controle institucional sério, uns ficam ricos à custa do sofrimento dos outros.
 Normalmente o excesso desmedido de uns acontece com a falta do necessário para a sobrevivência de muitas pessoas. Isto significa que o luxo da classe dominante é sempre pago por alguém desvestido da possibilidade de uma vida mais confortada. Significa má distribuição dos bens da vida.
 O dinheiro tem força para alienar o ser humano e de cortar a sua comunicação com Deus. Ele é endeusado por quem é materializado e diminuído na sua dignidade como pessoa humana. Com isto, não deixa de ser um fim em si mesmo e a única fonte de realização da pessoa.
 É louvável o papel do rico que consegue libertar o pobre de sua condição sofrida. Não podemos dizer que o rico seja mau, ladrão, desonesto e injusto se os seus bens têm função humana e social, principalmente se ele está preocupado com a dignidade do irmão.
 Interessante que o destino do rico é o mesmo do pobre. Ambos vão parar na sepultura, levando consigo apenas a boas obras realizadas a favor dos irmãos. As mãos não podem estar vazias. É preciso construir obras de eternidade, que contam no julgamento final. Corremos o risco do acúmulo desnecessário e perder o sentido da vida.


Dom Paulo Mendes Peixoto

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